6.5.14

Tenho Varicela, e agora?

Sim, é uma das doenças infantis mais comuns e completamente benigna.

Parece que houve um género de surto na creche do Manel e, esponja como só ele, apanhou o vírus e anda-se a vangloriar com pintinhas pela casa.

Vá, não só porque o Manel é uma esponja. A Varicela é altamente contagiosa. Trata-se de uma infecção viral causada pelo vírusvaricella zoster, da família dos vírus herpesviridae que causam, entre outras doenças, o herpes ou a mononucleose. 


Normalmente há mais incidência do virus no final do Inverno, início da Primavera (confirma-se).

   

Contrai-se através do contacto directo com a pele infectada ou com partículas de saliva libertadas na tosse ou nos espirros do doente. A facilidade do contágio é acentuada pelo facto de uma pessoa poder infectar outra ainda antes de os sintomas da varicela nela se manifestarem.

Basicamente é nas creches/hospitais/enfermarias que existe maior probabilidade de contágio. E papás... não afastem os vossos filhotes de uma criança com varicela. Se há coisa que se deve apanhar em pequenino é esta doença.


Os sintomas mais típicos - e quase sempre suficientes para o diagnóstico - são pequenas bolhas cheias de líquido, que pontuam a pele, sobretudo no tronco, mas que podem também surgir no rosto, no couro cabeludo e nos genitais ou até espalhar-se por todo o corpo. Antes das bolhas, porém, as manifestações iniciais da varicela consistem em manchas rosadas, planas e superficiais.


Estas manchas vão transformando até se formarem bolhas de paredes muito finas que contêm um líquido transparente. As bolhas acabam por se romper, deixando pequenas lesões na pele que vão secando, até que se forma uma crosta. Também ela acaba por desaparecer e, se tudo correr bem, não ficam marcas.


Estas diversas fases da varicela podem estar presentes em simultâneo num mesmo corpo. Em alguns casos, a varicela manifesta-se de uma forma tão ligeira que são poucas as bolhas a denunciá-la. Mas noutros as bolhas irrompem às centenas. E enquanto nuns corpos a doença se confina aos locais já referidos, noutros emerge em locais tão inacessíveis como o céu da boca ou o interior do recto e da vagina, causando grande incómodo (coitadinhos).



O coçar


Como disse acima, as bolhas são o sinal mais visível da varicela, mas há outros: febre, dores abdominais e falta de apetite, dores de cabeça e mal-estar geral. Contudo, estes sintomas costumam ser ligeiros, com o maior incómodo a provir de uma comichão extrema.


O Manel, por acaso não teve febre, não tem tido problemas na alimentação e continua bastante bem disposto. A vontade de coçar é mesmo a maior das tentações para quem tem varicela, pois surge como a única forma de obter alívio.


Infelizmente é um gesto com alguns riscos associados: é que coçar pode abrir caminho a lesões cutâneas e, com elas, a uma infecção bacteriana. Daí que nós, pais de uma criança com varicela, temos de lhe cortar as unhas e mantê-las rigorosamente limpas, de forma a minimizar o risco, ok?



Acalmar os sintomas


Tratar a varicela é sinónimo de actuar sobre os sintomas. Primeiramente aliviar a intensa comichão que as bolhas provocam: banhos de água tépida, a intervalos regulares, costumam ajudar, podendo ser reforçados com a aplicação de uma loção à base de calamina sobre as áreas afectadas.


No rosto, há que ter o máximo dos cuidados para não haver contacto com os olhos. A febre e as dores atenuam-se com a ajuda de medicamentos específicos - ibuprofeno ou paracetamol (nunca aspirina, pois nas crianças pode induzir uma doença grave designada síndrome de Reye).


 
Pode ainda ser necessário recorrer a outros fármacos, nomeadamente anti-histamínicos (quando as medidas de auto-cuidado são insuficientes para aliviar a comichão) e antivirais (à base de aciclovir, usam-se nos casos mais graves).

O Manel está a tomar zyrtek e ben-u-ron para o alivio da comichão e mau-estar. De resto, o tratamento passa por uma alimentação mais líquida (útil, sobretudo quando a varicela se estende à boca e garganta) e repouso. Já disse lá em cima que a varicela é uma doença geralmente benigna nas crianças. Mas o melhor é sempre prevenir: o isolamento é necessário até que as bolhas sequem por completo, dado que basta uma criança doente para que o vírus se espalhe por uma escola inteira...


Até há poucos anos, mais não se podia fazer em matéria de prevenção: mas agora existe uma vacina que, mesmo não garantindo protecção a 100%, assegura que a varicela, se chegar, é muito mais ligeira. O pediatra disse-me para dar umas voltas com o Manel pela manhã fresquinha, evitando estar ao pé de outras pessoas. Ou seja, uma volta de carrinho pelo bairro, para apanhar ar fresco. Ele adora!


Então e a vacina? 


A vacina contra a varicela não faz parte do Plano Nacional de Vacinação, mas está disponível nas farmácias portuguesas. Farmacêuticos devidamente formados ou enfermeiros estão disponíveis para administrar a vacina no momento da compra, ao mesmo tempo que fornecem toda a informação necessária sobre os possíveis efeitos secundários e interacções.


Não comparticipada pelo SNS, esta vacina pode ser ministrada a partir dos 12 meses, caso em que é necessária apenas uma dose; já a partir dos 13 anos, são injectadas duas doses, com um intervalo de seis a dez semanas entre cada.


O Manel ia levar a vacina para a semana... já não é necessário:)


Tal como as demais vacinas, a da varicela pode causar alguma reacção, nomeadamente no local picado, com vermelhidão, e febre.


Espero ter ajudado.

Até já,
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