23.3.13

A Infecção do M.

Bem, como têm acompanhado, desde que o pequeno M. nasceu, que temos tio alguns desafios para ultrapassar. É caso para dizer que sofri mais num mês do que na minha vida inteira. Sofri com dores da mastite, por deixar de amamentar, da cirurgia e, por fim, do internamento do M.


Contudo, tudo foi ultrapassado com a força deste pequeno guerreiro e do seu PAIZÃO. Acho que teria todas as razões para ter uma depressão pós-parto, mas dou-lhe um chuto no c... traseiro!


Ora, este post serve para vos alertar para os pequenos sinais e sintomas que os vossos bebés podem ter e que NUNCA ser desvalorizados.


A infeccção que o M. teve foi uma Pielonefrite (vulgo infecção urinária alta) e é bem mais comum do que nós pensamos (atenção que tudo o que está descrito abaixo serve para bebés, crianças e adultos)


Explicando: As infecções urinárias baixas são aquelas que acometem a bexiga e uretra. As infecções urinárias altas ocorrem quando há comprometimento de pelo menos um rim. As infecções da bexiga recebem o nome de cistite. As infecções da uretra são as uretrites. A infecções renais são chamadas de pielonefrite.


A pielonefrite é um caso potencialmente grave, pois trata-se de uma infecção de um órgão vital. É um quadro que pode ter gravidade semelhante a uma pneumonia. Se não tratado a tempo e corretamente, pode ter várias consequências.


Sintomas
  1. Nos bebés: Febre, Irritatibilidade inexplicável, falta de apetite 
  2. Crianças e adultos: para além dos mesmos sintomas dos bebés acrescento dores lombares (os bebés também têm mas não conseguem dizer-nos), náuseas e vómitos.
A febre do M. foi o sintoma ao qual demos mais importância (não é normal os bebés recém-nascidos terem febre). Automaticamente ligámos para a Saúde 24 (808 24 24 24) e, após descrevermos os sintomas, o conselho foi ir imediatamente ao hospital (felizmente o Hospital Dona Estefânia é o Hospital da nossa área de residência). Ligando para a Saúde 24, eles enviam logo um fax para hospital com todos os sintomas do paciente e, assim que chegamos, eles já sabem qual é a situação (MUITO BOM!) e, na maioria das vezes, passamos logo à triagem, sem espera.


Depois da consulta da urgência, o M. foi (sozinho com os enfermeiros) fazer alguns exames: análises à urina e sangue e uma punção lombar.  Posso dizer que foi horrível, para mim mãe, ouvir o meu bebé a chorar muito, rodeado de pessoas que não conhecia, totalmente desconfortável. Chorei como nunca... sozinha... (O A. não podia estar comigo, apenas na sala de espera).


1hora depois, ele saiu, com soro e sonolento... o meu menino! o meu pequeno menino que estava doente! Senti-me a pessoa mais impotente do mundo... sem saber o que fazer... como somos pequeninos neste mundo.


Foi para o SO e chegaram as notícias: O M. tinha uma infecção urinária e tinha de ficar internado 10 a 14 dias, conforme a gravidade da situação. Automaticamente deram-lhe antibiótico.


Algumas horas depois fomos transferidos para a Unidade de Infecciologia do Hospital e fui todo o tempo a chorar!


No total fez 3 Punções Lombares (PL), 2 ecos transfontanelares, 2 ecos renais e as análises à urina e ao sangue... e, salvo a primeira PL, não chorou em mais nenhum exame. É um herói este menino!


Agora está em casa a tomar uma medicação manipulada para prevenir novo aparecimento de infecção.


Lá na unidade conhecemos muitos mais casos com os quais fiquei boquiaberta. Casos em que, se chegassem horas mais tarde ao Hospital, as coisas poderiam não ter corrido pelo melhor: Meningites mal curadas, virus no cérebro, bactérias que causaram infecções em feridas mal curadas... não têm noção.


O mais importante é NUNCA desvalorizar as queixas dos nossos pequenos. Mais vale sabermos que está tudo bem do que ficarmos com pesos na consciência.


Outro conselho... qualquer quadro de infecção urinária deve ser sempre tratado com antibióticos. Medicamentos ditos "naturais" podem proporcionar alívio temporário, porém, apenas postergam o tratamento correto do problema.


Queremos, ainda, agradecer a todas as palavras de carinho e apoio que tivemos de todo o lado. Foi uma das razões para ter muita esperança! Agradecemos, também a toda a equipa responsável pelo M. no Hosp. Dona Estefânia. Foram incansáveis.




Até já,

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